Reflexão

A casa que fala: poeiras, memórias e suspiros de vida

Um olhar sobre o silêncio dos objetos e as memórias que vivem nos cantos da casa.
Foto: Imagem gerada por IA

Às vezes, é preciso olhar a casa, não como quem a vigia, tampouco como quem precisa limpá-la.

Olhar a casa nos seus cantos — de poeiras, fios e esquecimentos — para lembrar que neles fica um resto de vida.

Olhar pela janela como quem tem tempo (e esperança) de tornar real tantos desejos impossíveis.

Ver o estrado, o porta-panela e a estante, antigas árvores de raízes agora tão distantes.

Espiar os ímãs na geladeira, esses pequenos recortes de memórias inteiras; folhear os livros, tanto os lidos quanto os esquecidos; reclamar dos pratos sujos, da alma impura e do barulho insistente que faz a fechadura.

Observar se a planta cresce, se a torneira pinga e se o lençol de elástico ainda estica.

Ver a casa assim, silenciosa e faladeira, sem eira nem beira, de gavetas entupidas, comunicando — em tudo — nossos suspiros de vida.

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