memórias

Entre o velho e o bebê: o tempo que passa e o tempo que fica

Um olhar sobre o tempo que envelhece e o tempo que nasce
Foto: Cristiane Mendonça/Proibida a reprodução da imagem

E o tempo passou por mim, vestido de calça de tergal, camisa de botão, botas de quem já capinou roça e chapéu de quem muito trabalhou debaixo do sol.

O tempo, de costas curvas e olhar sereno, levava nas mãos a conta da água, ainda impressa, nada digital, para ser quitada na casa lotérica, porque o tempo tem tempo. Gosta de prosa, de olhar no olho de quem recebe e de dizer que “tá calor e precisa chover”.

O tempo, meio surdo de tanto escutar passarinho, um tanto esquecido por saber tanto nome de árvore, desceu pela calçada da Praça da Matriz até passar.

Do jeito que todo tempo passa: devagar quando se observa, rápido demais depois que acaba.

E, enquanto o tempo, com seus 90 anos, partia, no meu colo o meu tempo bebê, com seus 90 dias, sorria.

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